Clave y Cañamo: Cultura Latinx Iluminada desde Dentro
Uma linha do tempo interativa da resistência, ritmo e ritual Afro-Latinx
Imagem - Isabel Neiva
1910s – La Cucaracha: Fumaça na Revolução
Durante a Revolução Mexicana, soldados cantavam “La Cucaracha”, ironizando que a barata não conseguia andar sem maconha: “porque no tiene marihuana que fumar.” Para além do humor, o verso funcionava como um símbolo de rebelião popular e resistência cotidiana. A canção atravessou fronteiras, levando a cannabis para o centro da cultura oral de comunidades da classe trabalhadora — do México ao Caribe — como linguagem compartilhada de sobrevivência e contestação.
La Cucaracha - Isabel Neiva
1930s – Harlem, Havana e Erva
Em Harlem e Havana, músicos de jazz fumavam cannabis antes das jam sessions, chamando a si mesmos de “víboras”. Sons afro-cubanos se fundiram com o swing negro norte-americano, formando os primeiros esboços do jazz latino. Jornais de Nova Orleans descreviam a maconha como uma “ameaça da selva”, expondo o medo racializado que sustentava a repressão. A erva não era temida apenas pelo que fazia, mas pelo que representava: sua associação com a cultura negra.
de Harlem a Havana - Isabel Neiva
1943 – Tanga por Machito & Mario Bauzá
“Tanga” é amplamente considerada a primeira composição de jazz afro-cubano. Apresentada pela orquestra de Mario Bauzá em Nova York, a peça fundiu a clave africana com os metais do big band norte-americano, inaugurando um novo vocabulário musical. Segundo uma tradição persistente da história oral do jazz — incluindo relatos da rádio pública — o título derivaria de um termo africano associado à maconha, inserindo a obra no amplo contexto cultural da diáspora negra, onde música, ritmo e estados alterados frequentemente se cruzavam.
Tanga - Isabel Neiva
1968 – Let’s Get Stoned pelos The Lebrón Brothers
Esse grupo afro-puertorriquenho do Brooklyn reinventou uma canção de Ray Charles em um hino da soul latina. “Let’s Get Stoned” não era sutil: capturava a forma como jovens nuyoricans misturavam salsa, R&B e erva no cotidiano urbano. O boogaloo era o som do choque cultural — e a cannabis fazia parte tanto da festa quanto do protesto.
Let’s Get Stoned - Isabel Neiva
Lendas - Isabel Neiva
1973 – Leis de Drogas de Rockefeller Reprimem
Nova York aprovou algumas das leis de drogas mais severas do país. Jovens negros e porto-riquenhos pegos com um baseado podiam enfrentar anos de prisão. Enquanto isso, músicas de salsa como “Calle Luna, Calle Sol” capturavam a dureza das ruas. A música permanecia desafiadora—mas a fumaça agora carregava risco.
Calle Sol - Isabel Neiva
1980s – A Cannabis de Fruko na Colômbia
Na Colômbia, no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980, o lendário Fruko compôs “Cannabis”, um instrumental gravado pelo grupo Los Pambelé no selo Discos Fuentes. Sem necessidade de letras, a faixa apontava para o lugar subterrâneo da erva na vida do bairro — onde música, economias de sobrevivência e resistência frequentemente se cruzavam. Em cidades caribenhas como Barranquilla, esses sons alimentavam festas de rua e bailes fora das narrativas oficiais, onde ritmo e resistência andavam juntos.
Fuko y Sus Tesos - Isabel Neiva
Hoje – Reivindicação e Reconhecimento
Em todas as Américas, artistas e comunidades afro-decendentes estão reivindicando a planta que um dia as marcou para punição. Músicos sampleiam antigos riffs do jazz viper, rappers se referem à erva como cura, e dançarinos honram os rituais que mantiveram seus ancestrais enraizados. A cultura da cannabis já não se esconde em becos nem em letras codificadas. Ela ressurge em galerias, festas de rua e movimentos de base que nomeiam sua verdadeira linhagem. O que foi criminalizado como vício está sendo restaurado como memória, medicina e herança cultural. O ritmo continua — levado por uma geração que não tem medo de dizer onde a história começou e quem a manteve viva.